segunda-feira, 22 de junho de 2015

Tecnologias Mal Ditas

Somos muito acostumados à tecnologia. Falo por mim, sou quase viciado. Ela agiliza a comunicação, faz o mundo ser pequeno. Com poucos cliques falamos com pessoas em NY, Tóquio ou com a mesa ao lado. Acho um pouco cliché dizer que isso também afasta o contato humano verdadeiro, não concordo com isso. Apenas temos mais contato com pessoas que talvez não tivéssemos nenhum.

O grande problema, pra mim, é a ansiedade que essa tecnologia gera. Quem nunca ficou afoito, olhando para o telefone esperando ele tocar, ou um alerta de mensagem, ou até na rua esperando o carteiro para os mais antigos.

Mas hoje, a tecnologia já tem requintes de crueldade. Recebi uma mensagem outro dia, a pessoa recebeu uma notificação de que eu visualizei, e assim, a bomba relógio está armada. No dia seguinte, já recebo novas mensagens, mas dessa vez com as reclamações de que não respondi, de que não me importo, e de que sou um monstro sem consideração.

A armadilha está nisso. A pessoa não estava ao seu lado, não sabe porque não respondeu. Nem em que situação supostamente visualizou. No meu caso, estava num local totalmente sem sinal, abri o celular apenas pra checar a previsão do tempo, abri as mensagens por acidente, fechei, vi a previsão e desliguei o telefone. Sem me dar conta da hecatombe que estava por vir.

Claro, esse é um caso extremo. Mas muitas vezes nos pegamos pensando se a pessoa se ofendeu com a última piadinha que mandamos, ou com algo irônico que não teve o devido tom explicitado na mensagem. Simplesmente porque ela demorou pra responder. São tantas e incontáveis possibilidades para essa demora, que a última coisa a se pensar é que a pessoa te odeia, ou que não se importa.

E aquela ansiedade nos domina, como é uma tecnologia mal dita, tende a nos colocar em situações onde um simples esquecimento, se torna um caso crônico de abandono.

Sei que a pessoa que me mandou a mensagem talvez nunca leia esse texto, ou se ler, talvez não se identifique, mas as pessoas têm que entender, que se eu estou num ponto de trocar mensagens com ela, é porque eu já me importo, em alguns casos, só troco mensagens porque amo, e nenhum aviso de leitura mal dito pode mudar isso. Mandem suas mensagens, conectem-se com o mundo, mas não se esqueçam nunca de que a tecnologia tem o propósito de criar soluções, mas às vezes cria apenas novos problemas.


domingo, 21 de junho de 2015

Cicatrizes Mal Ditas

Todos nós temos cicatrizes. Dos mais variados tipos. Aquela esfolada no joelho descendo a rua num rolimã, um relevo permanente na cabeça de um descuido durante um disputado pega-pega na terceira série. Temos as mais sérias, de uma cirurgia, que deixa pontos, marcas que podem ser esteticamente preocupantes. Ou ainda as emocionais, essas sem dúvidas, as mais complexas.

Dentre todas essas, o processo de cura parece ser o mesmo. Arde muito quando acontece, fica coçando enquanto cicatriza, e depois continua como uma lembrança indelével daquele momento em que ela aconteceu.

Como é bom cutucar uma casquinha que está querendo cair, e quando cai, uma pele novinha por baixo. Ou tirar os pontos, sentir o alívio que isso proporciona, até sentirmos que algo está totalmente curado, cicatrizado.

Mas não funciona assim pras cicatrizes emocionais. Elas não têm casquinha pra gente cutucar, nem pontos pra tirar. E apesar de sentirmos que está tudo bem e cicatrizado, é uma ferida que ainda continua aberta, e que com um simples cutucão volta a doer imensamente.

Foi um sonho. Não. Uma sequência de sonhos. Sonhei que estava tudo bem, que conversávamos normalmente e amigavelmente, apesar do cuidado mútuo. Pude te abraçar. Nada mais que isso. E quando acordei, aquela ferida fechada e esquecida reabriu como uma fenda de lava, entorpecendo, aquecendo e doendo.

Já faz pouco mais de dois anos que não nos falamos, nem um simples oi. Você já me buzinou o carro agradecendo a passagem, sem saber que eu era eu, pois senão sem dúvida teria jogado em cima de mim. Mas a ferida só abre mais e mais, e acho que é algo que nunca poderei cicatrizar.

É uma cicatriz mal dita, pois ela me lembra constantemente da dor que sinto ter causado em você, e acho que ela é até justa, para compensar todos os danos e cicatrizes que eu sei que causei.

Mas de tudo que essa cicatriz é diferente das outras, elas tem algo fundamental em comum. São uma lembrança indelével de todos os momentos que a causaram, e como sempre digo, melhor do que não se machucar, é se machucar por algo que vale muito a pena.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Chances Mal Ditas

Temos muitas chances na vida. Uma amiga minha, linda, inteligente, aventureira, "reclamou" sobre não conseguir arrumar um namorado. Não é um caso grave. Ela vive muito feliz sozinha, não é o tipo de pessoa que busca outra para suprir as próprias carências. Apenas quer um cara legal pra dividir bons momentos da vida. Óbvio que pra ela o único problema é arrumar um cara "sério", pois freelancers sem dúvida devem se alinhar atrás dela. Mas o que seria esse cara "sério" ? Como reconhecer um ?? Será que essa amiga deveria preparar um formulário de múltipla escolha e depois de avaliadas as respostas, decidir se é um cara que vale a pena ou não ?

É aí que entram as chances.

Temos que dar chances pras coisas acontecerem. O cara não a chama pra sair. Isso é um fato. 

Dentre as causas, pode ser que ele seja muito ocupado, pode ser por ter outras 200 garotas na fila, ou pode ser por falta de interesse. Em qualquer um dos casos, a chance é decisiva. Dar uma chance ao cara, tomar a iniciativa, pode fazer com que todos os outros fatores caiam por terra, as 200 garotas da fila continuarão aguardando, o interesse pode ser despertado, e todos os outros compromissos passarão a segundo plano. Tudo isso pode acontecer com apenas UMA chance bem aproveitada.

Ah, mas ele pode achar que sou fácil. Essa é a argumentação de 11 a cada 10 garotas no que diz respeito a tomar a iniciativa. E meu posicionamento sobre isso é simples, se ele realmente achar que você é fácil, e deixar de querer algo com você por isso, é porque ele é um idiota machista que vive no século XIII. Portanto, se deixar de ter algo com o cara porque tomou a iniciativa, é um favor que ele lhe fez.

Outro argumento muito usado é sobre "eu tenho que me valorizar". Concordo. Em partes.

O que são seus valores, são seus valores, não importa o que faça. Pra mim, se valorizar é buscar ser feliz, e dane-se o que todo o resto do planeta pensa ou julga. Ninguém calça seus sapatos, ninguém sabe das suas dores, portanto, pra mim, a maior valorização que existe, é buscar a felicidade sem se importar com o que podem julgar das suas escolhas. E um cara só vai correr atrás de algo que ele sabe que existe, de algo que ele já tenha um mínimo de apreço, que só pode evoluir com as chances.

Agora, de tudo isso que eu falei, tudo pode só acontecer porque você deu uma chance...você SE deu uma chance a mais de ser feliz. Pode dar tudo errado, o cara nunca topar, o encontro ser uma merda homérica, mas de todo modo, nada teria acontecido sem essa simples chance. Mas a chance de dar certo existe, sempre tem que existir, mesmo que seja uma em um milhão.

Claro algumas chances são pura perda de tempo. Mas só dando uma chance pra descobrir.